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Atitude e Competência com Ricardo Piovan (27/08/2011)
Líder e equipe superam crises quando se unem

Momentos de tensão tornaram-se comuns no dia a dia das empresas, afinal cada organização deseja assegurar seu espaço no mercado altamente competitivo e oferecer um diferencial ao cliente. No entanto, por trás dessa realidade encontram-se pessoas que em situações inesperadas precisam saber lidar com as tensões e encontrar a solução mais viável para determinado problema. E na condução desses profissionais está o líder que, em conjunto com sua equipe, norteará o caminho a ser seguido, inclusive, em momentos de extrema tensão.

Contudo, nem todos estão preparados para lidar com uma situação que gere pressão e tire a equipe da zona de conforto. De acordo com Ricardo Piovan, consultor organizacional e especialista em desenvolvimento humano e autor de “O Livro do Líder Completo”, em momentos tensos a liderança necessita estabelecer um canal de comunicação individual com cada membro da sua equipe e, em seguida, realizar reuniões com todos os liderados, explicar o papel que cada um exercerá e a importância da atuação de cada um dentro do contexto vivenciado por todos.

Em entrevista concedida ao RH.com.br, Ricardo enfatiza ainda o valor de se traçar um plano de metas e que o mesmo deverá ser sempre acompanhado pelo líder. Confira a entrevista na íntegra e boa leitura!

RH.com.br - O dia a dia mostra que a competitividade faz com que as empresas exijam, cada vez mais, dos profissionais. Qual o posicionamento que um gestor precisa adotar, quando surge um momento de pressão e que modifica a rotina dos liderados?

Ricardo Piovan - Em primeiro lugar o líder deve perceber este momento com antecedência, pois muitos gestores apenas sentem o momento de dificuldade quando já se vivencia uma situação extrema. Quando isso ocorre, o controle do momento de tensão torna-se muito mais complexo. O líder que é assertivo, por exemplo, percebe este processo com antecedência e toma atitudes antes mesmo que a situação torne-se impossível de controlar ou, então, coloque em risco o andamento das atividades e da própria equipe.

RH - Qual a maneira mais assertiva para comunicar esse difícil momento que a equipe enfrentará?

Ricardo Piovan - O líder deve começar a se comunicar de forma individual com seus liderados e depois realizar uma reunião coletiva. Ele precisa identificar na equipe quais as pessoas que têm maior influência dentro do grupo e conversar antes com estes profissionais, inspirando e envolvendo individualmente estas pessoas na complexidade do projeto. Isto se faz necessário para que estas pessoas apresentem o momento de tensão de forma positiva aos demais liderados e não de forma negativa, ou seja, influenciando as demais pessoas negativamente em relação ao processo de solução. Uma vez que o líder envolve estas pessoas-chave, parte-se para as reuniões em grupos, expondo os problemas de forma transparente, solicitando contribuição das pessoas na tomada de decisão.

RH - Em um momento tenso e atípico de forte pressão, a delegação de poderes é uma boa alternativa para superar essa fase?

Ricardo Piovan - Não há dúvida que sim. Mas, antes de delegar o líder deve expor o problema aos liderados e solicitar ideias de como resolver os problemas. Quando a pessoa contribui, isto é ajuda apresentando suas ideias, ela fica mais comprometida na hora de executar as tarefas para resolver os problemas. Nesse caso, a opinião do profissional faz parte do planejamento e ele se sente mais envolvido no processo. Passado esta fase de elaboração do planejamento, com o envolvimento da equipe, inicia a fase de delegação. Neste momento é importante o líder conjugar o verbo delegar, isto é transferir a responsabilidade e acompanhar a sua execução. Alguns líderes conjugam o verbo delegar, no sentido apenas de transferir a responsabilidade sem acompanhar com reuniões regulares.

RH - Em situações de extrema pressão, é aconselhável que o líder trace um plano de metas para si?

Ricardo Piovan - Sem dúvida alguma, uma vez que a meta principal é resolver o que tenha que ser solucionado. Contudo, o líder deve quebrar esta meta em outras metas menores, delegando as responsabilidades para pessoas com um bom nível de maturidade. Isto, por sua vez, transformar o objetivo final em metas menores com os seus devidos responsáveis.

RH - Um plano de metas para os liderados deve ser traçado individualmente ou coletivamente?

Ricardo Piovan - Todos devem conhecer o plano de metas global, pois sempre existe uma interação entre elas, onde uma equipe ou pessoa pode contribuir com o colega de trabalho. Apresentado o plano de metas global, o líder deve sentar-se individualmente com a pessoa ou com a equipe e detalhar a parte que cabe a cada profissional, pois todos têm valores a agregar.

RH - É possível manter a harmonia do espírito de equipe, em situações tensas?

Ricardo Piovan - Sempre enfatizo essa questão em minhas palestras e treinamentos que na área corporativa. Phill Jackson o grande técnico de basquete americano definiu o trabalho em equipe de forma magnífica. Para ele, o espírito de equipe surge quando um profissional contribui com a deficiência do colega de trabalho. O interessante é que se hoje eu colaboro com uma pessoa em dificuldades, não tenha dúvida alguma que amanha, quando eu tiver dificuldades, esta mesma pessoa que auxiliei em um momento de crise será colaborativa comigo também.

RH - Quais as competências comportamentais que mais se evidenciam em um líder que sabe enfrentar um momento de crise?

Ricardo Piovan - Poderíamos listar várias competências, mas vamos focar duas que considero essenciais: a primeira é criatividade. O líder sempre deve buscar soluções fora da rotina, do dia a dia, para conseguir sair da crise com rapidez, pois não tenha dúvida que o comum já foi tentado em outros momentos e não trouxe o resultado esperado. Outra competência que enfatizo aqui é a arte de liderar, isto é, persuadir e influenciar as pessoas da equipe a fazer o que deve ser feito com supremacia e criatividade. John Maxwell costuma dizer que a eficácia de uma pessoa está diretamente ligada com o seu grau de liderança, ou seja, influenciar positivamente as pessoas. Isto é, se a sua liderança pertence ao grau cinco a sua eficácia equivalerá ao grau cinco. Se a sua liderança for de grau nove a sua eficácia também se encontrará grau nove.

RH - Essas mesmas competências comportamentais do gestor devem se refletir nos liderados?

Ricardo Piovan - Sim, pois quanto mais o líder utilizar estas duas características que citei anteriormente, mais ele estimulará a sua equipe a utilizá-la também. Costumo dizer em minhas palestras sobre liderança que os liderados não fazem o que o líder fala e sim o que ele faz. Na verdade os liderados fazem o que o líder fala na primeira e na segunda vez. Mas se o líder falar uma coisa e agir de outra forma, os liderados copiam a forma como o líder agiu.

RH - As dificuldades sempre agregam valor à vivência do líder diante da sua equipe?

Ricardo Piovan - Friedrich Nietzsche, o grande filósofo alemão, possui uma célebre frase onde destaca: “Aquilo que não me mata, só me fortalece”. As pressões e as dificuldades na vida profissional e pessoal costumam desenvolver competências nas pessoas, pois o simples fato de tirá-las da zona de conforto e buscar conhecimento para resolver aquilo de que precisa de uma solução. Grandes líderes buscam o conhecimento e o colocam em ação, e assim que a dificuldade é resolvida eles se tornam muito melhores do que foram.

RH - Depois de passado o momento de extrema tensão, de que maneira o gestor deve comemorar os resultados com a sua equipe?

Ricardo Piovan - Comemorar uma conquista é algo importante e deve ser feito. Talvez isso possa acontecer através de uma festa, um churrasco ou até mesmo um encontro num happy hour. Mas acredito que a palavra mais correta nestes casos não é a comemoração em si e sim a celebração. Para mim, celebrar é valorizar as pessoas aplicando feedbacks coletivos e individuais. O ser humano sente muito prazer quando é reconhecido por um trabalho bem feito, sendo importante o líder pontuar cada comportamento realizado individualmente para a conquista de um resultado.

Jornalista Patrícia Bispo responsável pelo site www.rh.com.br

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