Desenvolvimento Pessoal e Profissional com Ricardo Melo (04/03/2011)
O Sentir e o Pensar"In médio virtus" ou a " virtude está no meio" é uma das expressões do latim que mais me encantaram. A busca do equilíbrio em nossa maneira de viver, de conquistar um existência harmoniosa é, sem dúvida, um dos maiores desafios que temos que enfrentar no dia a dia, principalmente porque nem sempre temos claro em nossa mente o que é o certo ou errado e qual seria a medida mais harmônica entre ambos que nos conduziria ao equilíbrio. Se levarmos em consideração que o que consideramos sendo o melhor caminho é algo relativo e, por tal, o certo hoje pode não sê-lo amanhã, percebemos a busca pelo equilíbrio como uma procura dinâmica, que se renova a cada instante, sem verdades absolutas.
Inicio nosso artigo com essa ponderação de relatividade do que seja equilíbrio, pois sempre nos deparamos dentro desse contexto com uma bifurcação que, não raro, nos deixa em situações muito incômodas, que é a indefinição entre o sentir e o pensar, entre saber a hora de ouvir o coração e o momento da dar mais credibilidade a razão. Encontrar a medida certa neste caso, talvez seja a maior conquista em nossa existência na busca pela harmonia real. Quem nunca ficou indeciso se agia no impulso do sentimento ou refreava-o ouvindo atentamente o que nos ensinava a voz racional que nos pedia bom senso? É fácil dizer que o correto é encontrar o meio termo. Isso já se sabe, mas e qual é o meio termo? Há uma fórmula infalível para o meio termo ou aqui falamos também de indefinições?
Será que devemos escolher uma profissão ouvindo o desejo mais honesto de nosso íntimo que pode mudar a qualquer momento ou dar vazão a um pragmatismo que nos mostre a maior probabilidade do que pode dar certo? Devemos abrir o peito e entregar-se de corpo e alma às paixões avassaladoras que encontramos na vida ou procurar refrear racionalmente nossas relações afetivas, hierarquizando prioridades dentro do que determinamos como o correto para nós, ainda que não signifique estar com quem se ama realmente?
Perguntas como estas povoam nossa realidade de forma contínua, impulsionando nossa responsabilidade em cada escolha que fazemos, até porque somente saberemos o que é certo ou não quando tivermos consciência dos resultados que somente se mostram após agirmos. Sem dúvida precisamos usar o bom senso, refletindo sobre as varias possibilidades que cercam uma escolha, para tentarmos evitar excessos de toda a ordem sem perder de vista que muitas vezes somente saberemos qual caminho nos levará ao equilíbrio após tomarmos atitudes e vivenciarmos seus resultados. A idéia aqui não é estimular a inconseqüência, em hipótese alguma, mas abrir espaço em nossa vida para saborearmos, muitas vezes, as incertezas que beiram nossa caminhada que podem nos conduzir mais rapidamente equilíbrio que grandes certezas, à semelhança de grandes batalhas que antecedem períodos de paz! Resumo da ópera: precisamos sentir mais com o celebro e racionalizar mais com o coração, a fim de um saber o que o outro experimenta. Se isso vai nos levar ao equilíbrio eu não sei, mas que ficar apenas filosofando a respeito não vai resolver muita coisa, isso tenho certeza!
